Timão diferente

Tite se surpreende e se orgulha de equipe que “às vezes encanta”


Tite fez uma de suas típicas pausas dramáticas antes de dizer o que vê de diferente no Corinthians de 2015 em relação a equipes vitoriosas dirigidas por ele. “Posso te responder mais à frente”, hesitou, afetando novo momento de silêncio. “Não, vou ter a coragem de responder agora.”
“Vou responder até agora. Não sei se o time vai bater campeão, qual vai ser a sequência, mas vou dizer qual é o meu orgulho. É uma equipe que vence jogando e às vezes encanta. Teve momentos nas três competições com beleza, mostrou que dá para competir e jogar bonito vencendo. Tem essa marca”, afirmou.
O que enche os olhos do gaúcho é a união entre pontuação expressiva e qualidade estética. “O time joga bonito. Consegue, nos seus melhores momentos, três aspectos: muita competição, resultado e beleza. Para o técnico, é extraordinário. Não sei se vai ser assim na frente, mas, até agora, esses momentos me orgulham.”

Líder do Campeonato Brasileiro a seis rodadas do final, o Corinthians tem oito pontos de vantagem sobre o segundo colocado Atlético-MG, adversário de domingo. A formação do Parque São Jorge é primeiro lugar em quase todos os quesitos estatísticos e tem a possibilidade de construir a melhor campanha desde a instituição do Nacional com 20 clubes.
“Nem pensei nisso, palavra de honra. Com a grandeza do jogo que temos, a dimensão… É um jogo dos dois postulantes ao título. Estou cheio de anotações aqui, mas confesso que essa está fora”, comentou, deixando-se levar brevemente pela possibilidade. “Pode ser, lá na frente.”
Comportamento semelhante acabou custando caro no primeiro semestre. Depois de dizer que se permitiu contemplar a atuação do Corinthians na vitória por 4 a 0 sobre o Danubio, Tite viu sua equipe ser eliminada da Copa Libertadores pelo inexpressivo Guaraní. No Campeonato Paulista, dando-se ao luxo de poupar jogadores, o time alvinegro se despediu diante do arquirrival Palmeiras.
A queda nas duas competições – nas quais, na visão do treinador, o time encantou – acelerou uma reformulação, com a saída de jogadores antes importantes. Após as despedidas de Emerson, Guerrero e Fábio Santos, poucos acreditavam que novembro chegaria com o título brasileiro à mão.
“Não minto. O planejamento inicial era chegar às ultimas dez rodadas no bolo dos seis, sete, cinco primeiros. O planejamento foi dar um passo atrás para, no ano que vem, dar dois à frente. Felizmente, o trabalho deu a possibilidade real de conquista de título”, concluiu Tite.

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